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Comeam articulaes para eleio ao governo gacho em 2022

28/12/2020

Mesmo que 2022 ainda pareça distante, que o país tenha um 2021 de muitas incertezas pela frente e que os recém-eleitos para prefeituras e Câmaras de Vereadores ainda nem tenham tomado posse, começaram as articulações para as eleições de 2022 entre políticos e partidos em solo gaúcho. No RS, assim como em outros estados, se repete o que ocorre na disputa pela presidência da República, na qual uma sucessão de movimentos, parte deles imperceptível aos eleitores, já está em curso.

Neste 2020, para além do prazo não oficial que simboliza o início das discussões da eleição seguinte – sempre quando a do ano em curso termina – o fator pandemia também apressa o processo futuro. Escaldados por campanhas municipais ‘diferentes’ em função de todas as consequências do coronavírus, lideranças e dirigentes políticos das grandes legendas asseguram que é preciso se “antecipar”, para tentar “evitar surpresas”.

No RS, por enquanto, os sinais mais visíveis partem justamente dos dois partidos que estão entre os maiores tanto em número de filiados como em prefeituras conquistadas no pleito recente: o PP e o MDB. Em número de filiados, o MDB lidera e o PP ocupa a terceira posição. Em número de prefeitos eleitos, o PP está à frente, seguido pelo MDB. Ambas as siglas já ensaiam movimentos que, ao mesmo tempo, demonstram sua força e as descolam do atual governo tucano. O MDB, principalmente por meio de seus posicionamentos na Assembleia Legislativa, onde, apesar de ser o maior partido da base, com oito cadeiras, vem impondo ou negociações ou votos dissidentes aos projetos do Executivo. O PP, que detém a liderança do governo no Legislativo, através de indicativos que já começam a ultrapassar as posições divergentes adotadas por parte da bancada. Como, por exemplo, o movimento na Casa Civil, que deixará de ser comandada por Otomar Vivian no início do próximo ano.

Para além das articulações explícitas ou de bastidores, um cenário está dado neste final de 2020 quando é posto na mesa o conjunto de nomes que despontam para concorrer ao governo. A corrida será disputada por políticos tradicionais e/ou experientes. “Tudo que vem acontecendo aí serviu para mostrar que vale muito aquele nosso ditado: ovelha não é pra mato”, resume um emedebista já envolvido nas negociações. 

AS APOSTAS

Alceu Moreira (MDB) – Há quase 40 anos exercendo mandatos eletivos, o atual presidente do MDB gaúcho e deputado federal pela terceira vez tem se movimentando com discrição. Mas, desde antes das eleições municipais, vem fazendo contatos e participando de articulações que visam lançá-lo como o nome do partido para a disputa ao Piratini em 2022. A ideia é que se apresente como uma alternativa “de centro-direita”, bem semelhante à estratégia que garantiu a vitória do partido em Porto Alegre em novembro passado.

 

Edegar Pretto e Paulo Pimenta (PT) – Os nomes dos dois parlamentares já estão postos dentro do partido, e o objetivo é de que a definição ocorra nos próximos meses. Mesmo que, de público, ambos ainda evitem admitir a possibilidade. Viabilizar a candidatura de um deles representa para a sigla um movimento concreto no sentido de tentar se renovar, ultrapassando as conhecidas dificuldades em abrir espaço para novas lideranças. Pimenta está no quinto mandato como deputado federal. Nas últimas três eleições se manteve como o candidato mais votado a federal do PT gaúcho. Dos cinco integrantes da bancada petista gaúcha, é o que tem alcançado maior visibilidade em debates nacionais e na oposição ao governo Bolsonaro. Edegar está no terceiro mandato como deputado estadual. Nas três eleições, foi o mais votado do partido para a Assembleia. Mantém distância de discursos radicais e expandiu sua atuação para além dos movimentos sociais ligados a disputas pela terra, a temas como o enfrentamento da violência contra mulheres e a produção de alimentos saudáveis.

Eduardo Leite (PSDB) – O governador não quer disputar a reeleição. Seu objetivo pode ser uma candidatura à presidência da República ou a vice em 2022. Suas pretensões nacionais são turbinadas por dois padrinhos de peso: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Mas, hoje, o partido não descarta que fique no RS caso não “surja” outro nome. E caso o governador não emplaque uma de suas recorrentes tentativas de mostrar um projeto que lhe confira peso nacional, a ponto de poder competir com o colega paulista, João Dória.

José Paulo Cairoli – O empresário, agropecuarista e ex-vice-governador também tem se movimentado para voltar a vida pública por meio da disputa ao governo do Estado nas eleições de 2022. Além de conversas e reuniões, ele voltou a emitir avaliações e posicionamentos nas redes, principalmente via twitter, onde endereça críticas principalmente ao governador Eduardo Leite, ao PT e à esquerda em geral.  Para levar adiante suas pretensões para 2022, precisará de uma nova legenda. Ele havia se filiado ao PSD em 2013, mas deixou a sigla no ano passado.

Luis Carlos Heinze (PP) – O senador trabalha abertamente pela candidatura ao governo do RS desde 2018. Naquele ano, após cinco mandatos consecutivos como deputado federal, e eleições nas quais sucessivamente perdia votos, Heinze tentou a indicação do PP para o Piratini, mas acabou sendo protelado em nome de uma tensa negociação que resultou em aliança com o PSDB. Como alternativa, migrou para a disputa ao Senado. A exemplo do que ocorreu com outros corredores, sua vinculação direta com o então candidato à presidência Jair Bolsonaro resultou em uma vitória considerável: fez 2.316.365 votos.

Onyx Lorenzoni (DEM) – O ministro da Cidadania também já começou articulações para disputar o governo gaúcho. Seu sonho é uma aliança com o MDB (pauta nas discussões que garantiram a coligação do DEM com Sebastião Melo na eleição da Capital), mas emedebistas veem a possibilidade como remota. Como Heinze, Onyx se beneficiou da ligação com Bolsonaro e obteve sua maior votação em 2018 (183.518 votos ao quinto mandato de deputado federal). Mas, escolhido ministro, passa por processo de afastamento desde 2019, e deve voltar à Câmara na reforma ministerial do início de 2021.

Romildo Bolzan Júnior (PDT) – Afastado da vida político-partidária desde 2014, quando precisou renunciar ao comando do PDT gaúcho para disputar e vencer a eleição para a presidência do Grêmio, Bolzan permanece à frente do clube. E é justamente a exposição conquistada por seu desempenho na presidência do Grêmio que o PDT considera como uma grande oportunidade. Apesar das negativas públicas de Bolzan, o partido trabalha por sua candidatura ao governo do Estado há dois anos, em tratativas que envolvem articulações e lideranças nacionais não apenas do PDT, mas também do PSB.

 

Com informações: correiodopovo.com.br

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