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Sem sustos com inflao nos EUA, dlar recua pelo segundo dia consecutivo

13/01/2022

Moeda terminou o dia em queda de 0,81%, cotado a R$ 5,5348

O dólar à vista emendou o segundo dia seguido de queda firme no mercado doméstico nesta quarta-feira em meio a um ambiente externo de recuperação do apetite por risco, alta das commodities e enfraquecimento da moeda norte-americana frente divisas fortes e emergentes.

Investidores celebraram a ausência de surpresas negativas no índice de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos em dezembro. Aliada à fala de terça-feira do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, a leitura do CPI afasta o cenário de ajuste de liquidez e aperto monetário mais rápido e rigoroso nos EUA ao longo deste ano - o que abre espaço para desmonte de posições mais pessimistas.

Afora uma pequena alta na abertura dos negócios, o dólar à vista trabalhou com sinal negativo durante toda a sessão, renovando mínima ao longo da tarde, quanto tocou pontualmente a casa de R$ 5,52. O aprofundamento das perdas por aqui se deu em sintonia com o movimento da divisa no exterior, com o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes - batendo mínimas, abaixo da linha dos 95 pontos.

Com oscilação de cerca de sete centavos entre a mínima (R$ 5,5293) e a máxima (R$ 5,6007), o dólar à vista encerrou a sessão em queda de 0,81%, cotado a R$ 5,5348 - menor valor desde 8 de dezembro do ano passado, quando também terminou o dia a R$ 5,5348. A última vez que o dólar fechou abaixo da linha de R$ 5,53 foi em 17 de novembro (R$ 5,5242). O contrato de dólar futuro para fevereiro terminou o dia a R$ 5,55650, baixa de 0,66%, com giro de US$ 13,3 bilhões.

"O CPI basicamente dentro das expectativas tirou fôlego do dólar, que caiu frente a moedas fortes e ao conjunto dos emergentes. Internamente, vimos um desmonte muito forte de posições defensivas de players, principalmente no mercado futuro", afirma Ricardo Gomes da Silva, diretor da corretora Correparti.

O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu em 0,5% em dezembro, muito próximo das estimativas (0,4%), com o núcleo em 0,6%, também perto do que os analistas projetavam (0,5%). Embora sem surpresas negativas, a leitura do CPI revela uma taxa anual de inflação de 7%, o maior nível em quase 40 anos.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, observa que, em sua fala na terça, Powell deu destaque ao peso dos problemas das cadeias produtivas na inflação e deixou a mensagem de que o ajuste da política monetária vai se dar em doses homeopáticas. "Ele também jogou a questão da redução do balanço patrimonial para o fim do ano. Isso tirou pressão sobre o dólar no exterior", diz Galhardo, acrescentando que a falta de notícias negativas vindas da política e as captações externas realizadas por empresas brasileiras também contribuem para a apreciação do real.

Falando em redução do balanço patrimonial do Fed, a presidente da distrital de Cleveland, Loretta Mester, defendeu nesta quarta que o processo ocorra "o mais rápido possível", mas em uma velocidade que não cause distúrbios significativos nos mercados. Ela também afirmou que, caso a economia americana mantenha o vigor atual, pode apoiar alta de juros já em março. A dirigente tem poder de voto no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) este ano.

Por aqui, analistas destacam que os juros internos mais elevados encarecem o hedge e desencorajam apostas especulativas mais contundentes a favor do dólar, sobretudo em um ambiente de recuperação dos ativos de risco. Isso daria, em tese, alguma sustentação ao real, embora não se vislumbre a perspectiva de uma rodada mais forte de apreciação da moeda brasileira.

Há ainda a expectativa de que os exportadores, após deixarem parcela substancial do caixa no exterior no ano passado, aumentem a internalização dos recursos neste ano. "Está caro e vai ficar caríssimo deixar caixa em dólar e euro. Acredito que isso vai inibir as posições especulativas compradas", afirmou, no Twitter, o head de tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt. "Mas essa internação dos recursos dos exportadores depende também da avaliação do risco eleição. E, no momento, esse risco não é pequeno."

Para Gomes da Silva, da Correparti, o dólar pode até romper pontualmente os R$ 5,50, mas não conseguirá se sustentar abaixo desse nível, mesmo com os juros domésticos mais elevados. Apesar do tombo dos últimos dois dias, ele vê o dólar em trajetória de alta no exterior, uma vez que o Fed, embora de forma cautelosa, vai ter de enxugar a liquidez. "Importadores estão vindo ao mercado para aproveitar esse dólar mais baixo. Existe uma demanda grande reprimida. Vamos ver um movimento de compra e de hedge de importações a descoberto. Vejo o dólar mais perto do patamar de R$ 5,70", diz.

Dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira à tarde revelaram que o fluxo cambial na primeira semana de 2022 (de 3 a 7 de janeiro) ficou negativo em US$ 1,132 bilhão - resultado de saídas líquidas tanto do canal financeiro (US$ 987 milhões) quanto do comercial (US$ 144 milhões).

Juros
Os juros futuros encerraram quarta-feira foi de forte queda, proporcionada essencialmente pelo exterior. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos em dezembro veio relativamente dentro do previsto e desarmou receios de que o Federal Reserve pudesse ser ainda mais agressivo na condução da política monetária, abrindo o apetite global por risco. Com isso, os juros locais se beneficiaram do bom desempenho das moedas emergentes e também do alívio no rendimento das taxas dos títulos do Tesouro americano, derrubando a ponta longa em cerca de 30 pontos-base. Nos curtos, o movimento de queda reforçou a percepção de desaceleração do ritmo de alta da Selic no Copom de março.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou em 11,86% (regular e estendida), de 12,037% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 11,528% para 11,21% (regular) e 11,195% (estendida). O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 11,19% (regular) e 11,16% (estendida), ante 11,452% na terça-feira.

Após fatores técnicos terem na terça engessado um pouco a reação positiva da curva local à sinalização de gradualismo emitida pelo presidente do Fed, as taxas nesta quarta amanheceram já em declínio, se alinhando à fala do mandatário, mas tração maior foi dada mesmo pelo CPI. "A surpresa não foi tão grande. O mercado parecia estar preparado para algo pior. Já tem muita coisa precificada lá fora", explica o estrategista da Tullett Prebon Vinicius Alves, destacando que o indicador promoveu melhora generalizada nos ativos emergentes.

O mercado consolidou a ideia de que o Fed deve começar a elevar os juros em março. "Os números, ainda que não tenham surpreendido dado o comportamento já adverso observado ao longo do ano, reforçam o panorama desconfortável para a autoridade monetária, o que explica a rápida mudança de posicionamento do Federal Reserve em suas últimas sinalizações", avalia o economista Silvio Campos Neto, da Tendências.

Como lembra ainda o Departamento Econômico da Renascença, nos próximos dias saem a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), referentes a novembro, que deverão vir fracas. Com isso, o mercado também pode ter se antecipado, aparando excessos da ponta curta.

Na precificação de Selic nos DIs, a curva indica um mercado dividido nas apostas de nova elevação de 1,5 ponto porcentual (60% de chance) e aceleração do ritmo para 1,75 ponto (40%) para o Copom de fevereiro, segundo o Banco Mizuho. Para o Copom de março, o mercado precifica alta de 1 ponto. No segundo semestre, a curva indica cenário de queda para a taxa básica, com 50% de probabilidade de corte de 0,25 ponto no Copom de setembro.

Bolsa
A leitura sobre a inflação ao consumidor nos Estados Unidos em dezembro, praticamente em linha com o esperado, contribuiu para uma nova rodada de alívio em câmbio, juros e Bolsa nesta quarta-feira, trazendo o Ibovespa pela primeira vez a terreno positivo no acumulado de 2022, nesta oitava sessão do ano. Após avanço de 1,80% no dia anterior, a referência da B3 subiu nesta quarta-feira 1,84%, a 105.685,66 pontos, entre mínima de 103.771,37 e máxima de 105.869,32 pontos (2,01%), renovada na reta final da sessão, acumulando agora recuperação de 2,89% na semana e de 0,82% no mês.

Em dia de vencimento de opções sobre o índice, o giro totalizou R$ 45,3 bilhões. No intradia, o Ibovespa foi ao maior nível desde 3 de janeiro (106.125,47 pontos). "O grande destaque da manhã foi de novo o mercado americano, com a leitura sobre a inflação ao consumidor, número importante após as referências de ontem do Powell no Senado, quando contribuiu para amenizar temores, conciliando controle inflacionário com juros mais altos, mas sem redução imediata do balanço do Fed, que prejudicaria a retomada econômica. Nada de pressa e de aceleração de movimentos", diz Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos.

"A fala do Powell foi 'hawkish' e contracionista, mas o mercado viu com bons olhos o fato de ele sinalizar que o ritmo de alta de juros ficará dentro do aceitável, do que pode ser absorvido. O mercado espera 0,25 ponto porcentual de alta para março, o que corresponde agora a 85% das apostas. A sinalização contribui para tirar volatilidade da curva, o que se reflete nos juros futuros e no câmbio, contribuindo para essa recuperação do Ibovespa, assim como o avanço das commodities", diz Antonio Carlos Pedrolin, líder da mesa de renda variável da Blue3.

"A inflação dos Estados Unidos não trouxe surpresas e ajudou bastante, desde a manhã. Estamos mais fortes, principalmente pelas commodities, que têm performado bem, tanto o petróleo como o minério. Além disso, o fechamento das curvas longas de juros contribui para dar uma acalmada no nosso cenário macro, favorecendo hoje principalmente o setor de varejo (na B3), muito sensível à questão de juros e inflação", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Assim, na ponta do Ibovespa nesta quarta-feira, destaque para as administradoras de shoppings, como Iguatemi (+8,31%), Multiplan (+6,54%) e BR Malls (+5,93%), assim como para varejistas como Magazine Luiza (+7,50%) e Lojas Renner (+5,98%). No lado oposto, Locaweb (-3,44%), Banco Inter (Unit -3,01%), Santander (-2,61%) e Cielo (-2,40%). Entre as blue chips, com a descompressão na curva de juros, os bancos tiveram desempenho majoritariamente negativo na sessão: além de Santander, destaque também para Itaú PN (-0,43%) e Bradesco ON (-0,88%). BB ON subiu 0,97%.

Impulsionando Petrobras (ON +3,31%, PN +3,05%) na sessão, a sequência de recuperação dos preços do petróleo - com o Brent negociado acima de US$ 85 por barril no melhor momento desta quarta-feira - ganhou dinamismo ainda no começo da tarde, após o Departamento de Energia dos Estados Unidos informar recuo de 4,5 milhões de barris de petróleo nos estoques na semana passada, em queda maior do que se antecipava no mercado.

Na China, o minério de ferro no porto de Qingdao fechou esta quarta-feira em alta de cerca de 3,5%, a US$ 133,68 por tonelada, no maior nível desde 11 de outubro. "Pode parecer um pouco contraintuitivo, mas as chuvas em Minas Gerais contribuem para sustentar o preço do minério, ao afetar a produção de um grande player (como a Vale)", aponta Pedrolin, da Blue3. Nesta quarta, Vale ON fechou em alta de 1,09%, enquanto os ganhos no setor de siderurgia chegaram a 5,71% (CSN ON).

Com informações: correiodopovo.com.br

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