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Dlar fecha em alta com divulgao do Placar da Previdncia

09/12/2017

O mau humor que reverberou entre os investidores e levou o dólar a atingir sucessivas máximas, por volta das 12h30, perdeu força durante a tarde desta sexta-feira. O estopim para a disparada da moeda americana foi o placar de intenções de voto dos deputados sobre a reforma da Previdência, divulgado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

De acordo com o levantamento realizado pelo Grupo Estado, 215 parlamentares são contrários ao texto que modifica as regras de aposentadoria no Brasil, e somente 62, a favor, segundo a última atualização. "Foi uma compra defensiva. Tesourarias não gostam de passar o fim de semana desprotegidas", explica Jefferson Rugik, diretor da Correparti.

O dólar à vista fechou em alta de 0,22%, a R$ 3,2960. Na máxima, atingiu R$ 3,3115 (+0,69%) e, na mínima, R$ 3,2633 (+0,68%). O giro foi de US$ 898,182 milhões. Na semana, teve alta de 1,28%.

Antes da divulgação do Placar da Previdência, a balança comercial da China e o payroll americano orquestravam o tom mais positivo entre os investidores locais. Apesar de os salários continuarem baixos, com possíveis efeitos sobre a inflação, houve aumento do número de vagas de emprego nos Estados Unidos.

Além disso, as exportações chinesas vieram melhores do que o esperado pelo mercado. Essa combinação de fatores externos fez com que o dólar se mantivesse em queda durante toda a manhã no campo doméstico, chegando às mínimas a R$ 3,2663 (-0,68%).

No entanto, o Placar da Previdência azedou a sessão, e a divisa americana inverteu a tendência, batendo máximas atrás de máximas até alcançar os R$ 3,3115 (+0,69%). "O momento atual lembra a época do impeachment, com muita volatilidade e incertezas", diz José Raimundo Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos. "O ponto é que já foram gastos cerca de R$ 50 bilhões para levar a reforma da Previdência à votação. Se não for aprovada, terá se gastado muito para nada. Daí é normal que o mercado fique inseguro mesmo", acrescenta.

Bovespa

O mercado brasileiro de ações operou sob um misto de influências internas e externas no pregão desta sexta-feira, 8, apesar da agenda política escassa, típica de uma sexta-feira. O noticiário internacional favorável manteve commodities e bolsas em alta e exerceu papel importante no desempenho do Índice Bovespa, que terminou o dia com ganho de 0,34%, aos 73.731,83 pontos. No front interno, foi bem recebida a previsão de que a reforma da Previdência será votada no próximo dia 18. Por outro lado, o Placar da Previdência adicionou cautela aos negócios e limitou a alta.

"Em princípio o mercado reagiu positivamente à definição de uma data para votar a reforma, apesar do prazo muito apertado. Mas estamos em um momento de muitos ruídos no cenário político, o que pode fazer a bolsa devolver os ganhos a qualquer momento", disse Carlos Soares, analista da Magliano.

Na máxima do dia, o Ibovespa alcançou os 73.425,31 pontos, com ganho de 1,29%. A divulgação do Placar da Previdência, pouco depois do meio-dia, gerou pressão de compra sobre o dólar e o índice perdeu fôlego pontualmente.

No exterior, dados positivos do mercado de trabalho dos Estados Unidos e o surpreendente resultado da balança comercial da China foram algumas das notícias que impulsionaram os ativos pelo mundo. Com isso, o Ibovespa voltou a ganhar fôlego e operou com alta em torno de 1% durante boa parte da tarde, antes de perder forças na última hora de negociação. Com o petróleo registrando altas de até 2% nos mercados futuros, as ações da Petrobras terminaram o dia com ganhos de 0,19% (ON) e 0,59% (PN). Vale ON subiu 0,40%, influenciada pela alta do minério de ferro no mercado chinês. As ações do setor financeiro também recuperaram as perdas da véspera e subiram, com destaque para as units de Santander Brasil, que avançaram 2,40%. Itaú Unibanco PN subiu 0,86%.

Taxas de juros

Os juros futuros persistiram em queda até o encerramento dos negócios desta sexta-feira. O IPCA de novembro abaixo do piso das estimativas e a perspectiva de votação da reforma da Previdência no dia 18 ou 19 trouxeram alívio na curva, embora no começo da tarde a divulgação do Placar da Previdência tenha levado os juros a reduzirem a queda vista desde a abertura e, em alguns contratos, até zerarem o movimento e baterem máximas.

A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 recuou de 7,06% para 7,01% e a do DI para janeiro de 2020, de 8,34% para 8,29%. A taxa do DI para janeiro de 2021 fechou em 9,24%, de 9,27%. A taxa do DI para janeiro de 2023 caiu de 10,15% para 10,11%.

O IPCA de novembro mostrou inflação de 0,28%, abaixo da previsão mais otimista captada na coleta do Projeções Broadcast, de 0,30%. A mediana era de 0,35% e o IPCA anterior, de outubro, de 0,42%. Entre janeiro e novembro, o índice acumula inflação de 2,50%, a menor variação desde 1998 (+1,32%). Na sétima queda seguida, os preços de alimentação e bebidas recuaram 0,38% em novembro e, no ano, acumulam deflação de 2,40%, a maior desde a

implantação do Plano Real, em 1994.

O trader de renda fixa do Banco Sicredi, Getúlio Ost, afirma que a ponta curta da curva até janeiro de 2019 reagiu ao IPCA, que não somente veio abaixo do esperado, mas "com abertura muito benigna". "Isso aumenta chance de termos uma queda de 0,25 ponto da Selic em fevereiro, principalmente se passar a Previdência", disse.

Segundo Ost, o mercado viu como positivo a definição de uma data para a votação, mas segue cauteloso com a possibilidade de aprovação. O presidente Michel Temer disse que o governo está colhendo os votos necessários para a aprovação da reforma e que se reunir os votos levará a reforma à votação no dia 18 ou 19 deste mês. "Marcar a data é positivo, mas ninguém faz aposta firme de que isso vai acontecer", disse Ost.

Com informações de correiodopovo.com.br 

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