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Surto de toxoplasmose agrava superlotação do centro obstétrico do maior hospital de Santa Maria

27/04/2018

O surto de toxoplasmose em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, agravou o problema de superlotação no centro obstétrico do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), o maior da cidade. O local tem capacidade para atender 10 pacientes, mas está com 26 gestantes internadas.

Conforme a administração da instituição de saúde, essa é uma das maiores superlotações da história do hospital. Além disso, a direção afirma que a equipe de atendimento ficou mais sobrecarregada porque algumas gestantes estão com sintomas de toxoplasmose.

"Tá um horror isso aqui. Corredor cheio de maca, tem gestante aí quase ganhando", lamenta a dona de casa Eliane Moraes.
A direção do hospital registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil, alegando que a superlotação do centro obstétrico expõe as pacientes e coloca em risco gestantes e profissionais.

"Criou-se uma situação absolutamente inaceitável em termos dos profissionais e também das pacientes. Não posso aceitar gestante em trabalho de parto em cadeira, em trabalho de parto no corredor, isso é inaceitável", afirma a diretora do hospital, Elaine Resener.

A instituição de saúde diz ainda que 40% das grávidas internadas são casos de baixa e média complexidade, que deveriam ser encaminhadas para outros hospitais.

A Prefeitura de Santa Maria confirma 51 casos de toxoplasmose, sendo sete em grávidas. Porém, um grupo de médicos infectologistas diz ter confirmado 148 casos, de um total de 199 suspeitas.

A Secretaria Estadual da Saúde também investiga a morte de um feto que pode ter ocorrido por causa da doença. Exames deverão confirmar as causas da morte.

"O feto não tem defesa, ele é indefeso. Quem é mais suscetível é o bebê, porque ele não está formado, não está se defendendo", ressalta o médico oftalmologista especialista em toxoplasmose Claudio Silveira.

A recomendação médica para as gestantes é lavar bem verduras e legumes e consumir somente água mineral.

"Orientamos a não manipulação de carnes cruas. Essas carnes cruas podem conter cistos desse protozoário, e a pessoa às vezes manipula e sem querer leva a mão na boca. Isso pode servir de fonte de infecção pra gestante", alerta a médica veterinária responsável pelo laboratório de doenças parasitárias da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Fernanda Flores.

Toxoplasmose
A toxoplasmose, cujo nome popular é doença do gato, é uma doença infecciosa causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii. Este protozoário é facilmente encontrado na natureza e pode causar infecção em grande número de mamíferos e pássaros no mundo todo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia, a doença pode ocorrer pela ingestão de oocistos [onde o parasita se desenvolve] provenientes do solo, areia, latas de lixo contaminadas com fezes de gatos infectados; ingestão de carne crua e mal cozida infectada com cistos, especialmente carne de porco e carneiro; ou por intermédio de infecção transplancentária, ocorrendo em 40% dos fetos de mães que adquiriam a infecção durante a gravidez.

Sintomas
Em alguns casos os sintomas não se manifestam, mas podem ser:

Febre;
Cansaço;
Mal estar;
Gânglios inflamados.
O período de incubação da toxoplasmose vai de 10 a 23 dias quando a causa é a ingestão de carne, e de 5 a 20 dias quando o motivo é o contato com cistos de fezes de gatos.

Prevenção
A Sociedade Brasileira de Infectologia lista algumas medidas de prevenção:

Não ingerir carnes cruas ou malcozidas;
Comer apenas vegetais e frutas bem lavados em água corrente;
Evitar contato com fezes de gato. As gestantes, além de evitar o contato com gatos, devem submeter-se a adequado acompanhamento médico (pré-natal). Alguns países obtiveram sucesso na prevenção da contaminação intrauterina fazendo testes laboratoriais em todas as gestantes;
Em pessoas com deficiência imunológica a prevenção pode ser necessária com o uso de medicação dependendo de uma análise individual de cada caso.

 

Com informações: g1.globo.com

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