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Conheça a evolução do tratamento do câncer de mama e como ele acontece em Caxias

17/10/2018

Depois da confirmação do diagnóstico do câncer de mama, o temor em relação ao tratamento e seus efeitos colaterais é tão grande quanto o impacto com a descoberta do tumor, afirmam os especialistas. As novas descobertas da ciência, porém, permitem que o combate a esse tipo de neoplasia seja menos agressivo, tenha menos efeitos colaterais e, principalmente, amplie a qualidade de vida dos pacientes. Se na década de 1970 um diagnóstico de câncer de mama representava um índice de mortalidade altíssimo, agora, as chances de sobrevida são o principal triunfo da medicina. A chance de cura da doença se descoberta no início é de 90%, e as estatísticas mostram que duas a cada três pacientes estejam vivas após cinco anos do diagnóstico.

— Estamos vivendo o período mais simbólico do avanço do tratamento do câncer. Estamos vendo hoje um avanço além das medicações. E não é todo o remédio que trata o câncer que leva o nome de quimioterapia. A quimioterapia é uma das estratégias de ação contra as células do câncer, que mata a proliferação delas, mas o que se estuda e discute hoje é a imunoterapia _  destaca o coordenador médico do setor de oncologia do Hospital Geral (HG), André Reiriz.

A imunoterapia é o tratamento de todo tipo de câncer que promove a estimulação do sistema imunológico, por meio do uso de substâncias que alteram a resposta biológica. Ainda que não exista um laudo definitivo sobre os benefícios da técnica para o câncer de mama, um caso acompanhado por cientistas americanos levou à eliminação completa de um câncer de mama avançado em uma paciente cujo organismo não respondia a nenhum outro tipo de tratamento e que já apresentava metástase. Por isso, os resultados animam a comunidade médica.

No início deste mês, inclusive, um americano e um japonês receberam o Prêmio Nobel de Medicina por seus trabalhos sobre a capacidade do organismo de se defender contra cânceres agressivos, tais como de pulmão e melanoma. Enquanto no último século a imunoterapia contra o câncer fez avanços "modestos", segundo a Assembleia do Nobel, os vencedores do prêmio revolucionaram a área, oferecendo aos pacientes uma nova esperança.

A oncologista caxiense Rita de Cassia Costamilan, professora do curso de Medicina da UCS e membro da Sociedade Americana e Europeia de Oncologia, participa neste final de semana de um congresso em Munique, na Alemanha, onde apresentará estudos decisivos para a aceitação ou não da técnica voltada ao tratamento de tumores de mama. Enquanto não há consenso sobre a imunoterapia, sabe-se que além dos tratamentos convencionais e que continuam sendo indispensáveis para a eliminação das células cancerígenas, como cirurgia e quimioterapia, há complementos indispensáveis para melhorar a qualidade de vida do paciente. Trata-se do acompanhamento multidisciplinar, oferecido em todos os hospitais de Caxias que atendem aos pacientes com a doença: fisioterapia, nutrição e terapia com psicólogos.

— O grande instrumento de atenuação dos efeitos colaterais é humano, que vai conduzir os efeitos medicamentosos e técnicos. O paciente precisa de uma equipe médica presente e atenta. Muito do que se causa de efeito colateral danoso é pelo distanciamento da expectativa criada, ou seja: sofrer com algo que não sabia que podia ocorrer. A informação atenua os efeitos colaterais do tratamento, sem dúvida _ opina Reiriz.

Tratamento vai além da quimioterapia

A cirurgia de remoção do tumor ainda é o tratamento mais comum e necessário na busca da cura do câncer de mama, segundo o oncologista clínico Rafael Hamester, que atende no Incan do Hospital Pompéia. É claro que as circunstâncias do procedimento dependem das características do tumor, mas o que é decidido é se ocorre a retirada total da mama ou se é feito algo mais conservador, conforme explica o médico.

— Tumores mais agressivos implicam, obrigatoriamente, na quimioterapia e outras medicações associadas para estes casos. Em tumores mais indolentes, é observado se é necessário a quimioterapia, porque ela não trazer benefícios_ explica Hamester.

O que é importante, segundo o médico, é que a paciente entenda que o tratamento é individualizado. Ou seja: o que funciona para uma amiga com o mesmo câncer pode não surtir efeito em outro organismo. Radioterapia, por exemplo, não é recomendada para todas as pacientes.

— O grande ganho nos últimos dez anos é entender que é preciso tratar determinados cânceres de jeitos diferentes, além de incorporar novos remédios para alguns casos. O que infelizmente não mudou é que os melhores remédios ainda provocam queda de cabelo_ comenta.

A queda de cabelo é, de fato, um dos efeitos colaterais mais temidos por mulheres. Por isso, o Hospital Geral aguarda chegar uma das compras que surtirá mais efeito na autoestima feminina. Trata-se de uma máquina que resfriará o couro cabeludo durante as sessões de quimioterapia, protegendo os fios e assim reduzindo a queda de cabelo em, pelo menos, metade.

— Com a queda de cabelo, o câncer de mama torna-se algo que a mulher é obrigada a compartilhar com a sociedade, porque todos enxergam. Já é algo devastador a ser trabalhado no íntimo dela, quem dirá com pessoas que ela desconhece_ explica o coordenador médico da Oncologia do Hospital Geral (HG), André Reiriz.

Além disso, o HG também passou a oferecer a colocação de um clipe metálico marcador de tumor na mama, para  melhor controle e acompanhamento da doença. A técnica, indicada para pacientes com câncer de mama inicial, faz a demarcação do tumor no início da quimioterapia. Dessa forma, se houver um quadro de regressão da doença, é possível evitar a retirada total da mama.

— Como pelo menos 10% dos casos de câncer as pessoas carregam uma pré-disposição familiar, é necessário que o paciente passe por um oncogeneticista e se submeta a testes que confirmem. O SUS não oferece isso. Então, em uma iniciativa para angariar fundos, compramos combos de aconselhamento com este oncogeneticista e mais o teste, e ao longo do ano, fornecemos aos pacientes que se enquadram no perfil_ explica André.

QUEM AJUDA

Há entidades que prestam suporte para medicação, tratamento e até transporte dos pacientes. É possível ajudar as entidades, e também encaminhar pacientes para receber ajuda. Saiba como:

Aapecan - Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan)

Após cadastro dos pacientes, a entidade vai até a casa e conhece a realidade dos pacientes. Nesta visita, a entidade identifica quais são as necessidades de cada paciente: cestas básicas, vale-transporte ou medicação. O paciente também tem direito a apoio psicológico individual, e pode participar de diferentes grupos. São ofertados grupos de costura, artesanato, pintura, roda de conversa e há um grupo que aborda exclusivamente o câncer de mama, com terapia e foco na auto-estima.

AJUDA: Quem precisa de ajuda, ou deseja colaborar com doações de dinheiro ou alimentos, pode contatar a entidade pelos telefones (54) 3026.9546 ou 9.9626.6663.

Capc - Centro de Auxílio às Pessoas com Câncer (CAPC)

O Centro de Auxílio às Pessoas com Câncer (CAPC) atende a 57 famílias, sendo que 15 delas são de mulheres com câncer de mama. A entidade fornece suplemento alimentar, fraldas, transporte dos pacientes até as sessões de quimioterapia ou radioterapia, além de cesta básica. É feito, principalmente, o atendimento emergencial para aqueles pacientes que aguardam decisão judicial para obter medicamentos ou tratamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Também há atendimento de psicóloga e oficinas semanais. Neste sábado, às 19h, ocorre a sétima edição do desfile Amor pela Vida, com participação de 15 mulheres que estão em tratamento ou já passaram pela doença. O desfile ocorrerá no Shopping Iguatemi, em frente à loja C&A, entrada pelo lifestyle.

AJUDA: O contato com a entidade é feito pelos telefones (54) 3223.2114 ou 98126.4699. Além de doações, a entidade precisa de voluntários.

Liga Feminina de Combate ao Câncer

A Liga atende a 450 pacientes e fornece ajuda de diversas formas: complemento alimentar, cestas básicas, roupas, medicamentos e visitas domiciliares para crianças com câncer. A visita é feita semanalmente por um grupo de jovens. O serviço de farmácia é um dos mais atuantes da Liga, já que é gasto, mensalmente, cerca de R$ 25 mil em medicações distribuídas para pessoas em vulnerabilidade social.

AJUDA: Até o dia 31, o Shopping Iguatemi promove uma campanha para arrecadar caixas de leite, suplementos e leites especiais que serão doados para os mais de 450 pacientes atendidos pela entidade. Basta adquirir uma embalagem de qualquer um dos produtos indicados e doar no ponto de coleta localizado em frente a loja MMartan, no Shopping. Os produtos podem ser adquiridos diretamente no Iguatemi ou o cliente pode trazer os produtos de casa, se preferir. Entre os pontos de venda estão: Farmácia São João (produtos: NutriSenior, Ensure), Farmácia Panvel (NutriDrink, NutriSenior, Ensure) e Carrefour (caixas de leite).

Quem deseja doar diretamente à entidade, pode entrar em contato com a presidente Roseli pelo telefone (54) 9.9989.4747.

DIREITOS

O tratamento do câncer de mama é um direito assegurado de todas as pacientes. Há outros benefícios que a mulher portadora da doença tem e pode reivindicá-lo na Justiça, quando necessário. Segundo a advogada e professora universitária Adriane Lopes, no ano passado, pelo menos 50 mil trabalhadoras foram afastadas do seus postos em função do câncer no país. Por isso, é importante saber que há auxílios que podem aliviar as dificuldades financeiras que o momento pode implicar. Há entidades que fornecem ajuda judicial, como a Apecan, onde a advogada atua também como voluntária.

Veja alguns destes direitos:

:: Todos os medicamentos devem ser fornecidos pelo SUS,

:: Saque do FGTS: é possível sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). É preciso procurar a Caixa Federal e requerer a movimentação.

:: Compra de carro adaptado com isenção de impostos, com desconto que pode chegar a 30%.

:: Cirurgia reconstrutiva mamária: ao menos que não haja indicação, a reconstrução é feita na mesma cirurgia de remoção do tumor.

:: Auxílio-doença: como as mulheres se afastam do trabalho para se submeter ao tratamento, que muitas vezes é altamente incapacitante, é fornecido pelo INSS um auxílio mensal.

:: Isenção de Imposto de Renda nas aposentadorias e, inclusive, caso a paciente receba pensão.

 

Com informações: pioneiro.clicrbs.com.br

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