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1º dia do Enem mantém nível de dificuldade e explora temas sociais, dizem professores

05/11/2018

O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2018) manteve o nível de dificuldade, questões que exigiam interpretação de texto e explorou temas sociais, segundo professores de cursinhos ouvidos pelo G1. Questões que cobraram conhecimentos de geografia física e filosofia medieval foram destaque.

• GABARITO EXTRAOFICIAL E RESOLUÇÃO COMENTADA

Veja quem foram os professores ouvidos para a reportagem:

• Curso e Colégio Objetivo: Giuseppe Nobilioni (professor de português, história e inglês) e José Maurício Mazzucco ( professor de filosofia e sociologia, geografia)
• Descomplica: Cláudio Hansen (gerente pedagógico e professor de geografia)
• ProEnem: Leandro Vieira (professor de Sociologia e Filosofia)
• Sistema COC de Ensino: Alexandre Mattioti (professor de história)
• Oficina do Estudante: Célio Tasinafo (diretor pedagógico)
• Grupo Etapa: Edmilson Motta (coordenador geral)
• Anglo: Daniel Perry (coordenador do curso)
• SAS: Vinícius Beltrão (consultor pedagógico)
• Curso Poliedro: Vinicius de Carvalho Haidar (coordenador)

"Se tivéssemos de escolher uma questão para simbolizar os alicerces da prova, poderíamos apontar a questão número 42 [da prova amarela], na qual temos a frase da diretora geral da Unesco, segundo a qual 'os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso'”, apontou o diretor pedagógica da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo.

Redação

A prova de redação teve como tema "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet" e teve quatro textos motivadores, sendo que três deles são trechos de reportagens e um trouxe um gráfico com dados.

"O que surpreendeu foi o tema da redação, que foge de um tema de minorias, estando no cotidiano dos alunos", afirmou Vinicius de Carvalho Haidar, coordenador do Curso Poliedro. Desta forma, foi mais fácil para os estudantes desenvolverem o assunto, porém mais difícil de se diferenciarem na proposta de intervenção, por ser um tema mais amplo.

Abordagem de questões sociais

"A prova de uma forma geral aumentou a densidade dos textos. Muitas respostas exigiram do aluno boa capacidade de interpretação. O aluno que cultivou o hábito da leitura e fez muitos exercícios sem dúvidas teve um diferencial para uma boa prova esse ano. O exame entrou em questões sociais importantes ao abordar temas como gênero, democracia e política", disse o gerente pedagógico do Descomplica, Cláudio Hansen.

O coordenador pedagógico do Objetivo, Giuseppe Nobilioni, considerou a prova de ciências humanas e linguagem de 2018 equilibrada. Chamou sua atenção a escolha de temas atuais, de construção da cidadania, críticas a visão estereotipada sobre liberdade de gênero, etnias, direitos humanos e violência. “Este ano estes temas foram muito discutidos”.

“Uma prova que avalia 5,5 milhões de alunos tem que ter questões desde muito fáceis até as mais difíceis a grosso modo em todas as matérias”, destacou.

Padrão conteudista

Para o professor de sociologia Leandro Vieira, do ProEnem, a prova "manteve um padrão conteudista dos ultimos anos, trazendo um maior contingente de questões historiográficas, e uma leve diminuição das questões de geografia. Muitas temáticas envolvendo globalização, hábitos de consumo e comportamento no meio tecnológico, seguindo o tema da redação".

Alexandre Mattioti, professor de história do COC, disse que para fazer uma boa prova o aluno precisou ter domínio dos diversos tipos de texto. "De 2009 para cá, a prova tem essa característica de trazer textos em que o aluno precisa mostrar que é versado na compreensão de textos, sejam verbais ou não, ou seja, leitura de gráfico, leitura de imagem".

Para Daniel Perry, coordenador do curso Anglo, a nova ordem das provas – que pelo segundo ano teve redação, linguagens e ciências humanas de uma vez – se consolidou como uma mudança positiva. "Porque tornou o exame menos cansativo para o aluno e também possibilita o estudo com mais foco para cada domingo na semana que o antecede".

Coordenador do Curso Poliedro, Vinicius de Carvalho Haidar afirmou que a prova "ficou bem exigente e cansativa" pelo fato de cobrar muita interpretação de texto. "Mas ajuda o aluno no segundo dia do Enem, uma vez que poderá se concentrar mais no sentido analítico."

Ciências humanas

• Filosofia e sociologia

O professor do Objetivo, José Maurício Mazzucco, considerou as questões de filosofia e sociologia do Enem 2018 exigentes, mas não difíceis. “Foi uma prova bem elaborada e muito rica em gráficos e mapas e os texto foram bem escolhidos”, disse.

“Em filosofia, fiquei feliz que apareceram duas questões de pensadores medievais, São Tomás de Aquino e Santo Agostinho. Houve uma questão interessante sobre Epicuro que falava sobre temperança, que significa controlar os desejos e ter moderação”, destacou Mazzucco.

A prova de filosofia também trouxe, segundo o professor, a questão da mulher, uma crítica da democracia vista só como exercício de voto, a sociedade sem estado e uma visão de que a sociedade civil tem que participar do processo político.

• Geografia

"Sobre a parte de geografia, percebemos maior cobrança de geografia física, exigindo conhecimentos específicos do aluno. Clima foi tema de três questões, o que é considerado uma quantidade alta para um mesmo assunto dentro do número total de perguntas", analisou o gerente pedagógico do Descomplica.

Para Edmilson Motta, coordenador geral do Grupo Etapa, a prova estava "bastante abrangente, contemporânea e exigente. Foi a que mais se aproximou do exame da Fuvest e a mais difícil desde a primeira edição".

• História

Para o coordenador pedagógico do Objetivo, Giuseppe Nobilioni, a prova de história foi bem elaborada e de nível médio de dificuldade. “Chamou atenção a relação com temas muito atuais, trazendo opiniões divergentes que permearam as discussões em 2018.

“A prova de história, ao contrário do ano passado, foi excelente. Quase todas as questões foram de história do Brasil, desde o descobrimento até o período militar. Nesse período atual, sobre todos os movimentos sociais e transformações que acompanham até o dia de hoje.

• Linguages

"A prova de linguagens trabalhou formas de expressão diferentes, trazendo textos científicos, poesia, poema, charge, propaganda, imagem e outros gêneros textuais", explico Vinicius Haidar, do Poliedro.

• Português

Como já é tradição no Enem, a prova de português de 2018 exigiu uma grande competência na interpretação de texto, comentou Nobilioni, do Objetivo. “Os textos apresentados foram atuais e não tão longos como antes, mas exigiam um pouco mais de dificuldade na interpretação", disse o professor.

• Inglês

A prova de inglês abordou cinco textos. Um era um cartoon, outro jornalístico, uma poesia e um texto sobre a opinião da internet, e o último o romance de 1984. O vocabulário não foi muito difícil. As questões exigiam não a mera tradução, mas o candidato tinha também que interpretar o texto, talvez possa ter criado dificuldade.

• Espanhol

Para o coordenador geral do Grupo Etapa, os textos estavam mais complexos do que a prova de Inglês. "Em especial, uma das questões trazia a expressão "augurio aciago", mau agouro, que os participantes não devem conhecer mesmo em Português".

"Também é importante dizer que aqueles que optaram por fazer a prova de Espanhol encontraram maior número de questões focadas em gramática em relação aos alunos que realizaram o teste de Inglês", disse Vinícius Beltrão, consultor pedagógico do SAS.

 

Com informações: g1.globo.com

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